Maratona BTT Cidade de Albergaria

27 de Abril - 2014

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O desafio para a organização e para os participantes implicava igual estoicidade, 3 dias, 3 etapas, 3 montanhas. Se para uns a logística a montar era uma novidade ao nível do BTT em Portugal, para outros a novidade era gerir o corpo e a bike para percorrer quase 200km numa maravilhosa e dura esquizofrenia de trilhos e já apelidar a zona do Douro e Amarante mais especificamente como a pizza 4 estações do menu BTT.
A base é feita duma massa bem alta, fermentada até ao acumulado total de 4900 metros, polvilhada a pedras que mais pareciam cogumelos entre os quais era preciso serpentear com singletracks a saber a queijo. O camarão estava lá bem no alto e tinha patas similares às hélices duma eólica, difícil de lhes pegar, e quem ficava descascado acabavam por ser os participantes. Alguns tão descascados que jorravam alguma polpa de tomate dos seus joelhos. Pelo meio dá para saborear magníficas paisagens serranas que nos regalavam tanto como umas amêijoas à bolhão pato. O divertimento soube a azeitona, não estivéssemos nós na zona de transição entre os Trás-os-Montes e Alto Douro. Nos suficientes abastecimentos havia, entre outras coisas, a coca-cola certa para ajudar a empurrar cada fatia de btt abocanhada.
Do nosso lado foram 7 os comedores, numa equipa mesclada, mas com o comum objectivo de nos superarmos e de superarmos esta viagem épica. O infortúnio não permitiu que todos a finalizassem, mas ficou bem claro que era merecido tal ter acontecido.
Foram aproximadamente 12 horas em cima do veículo não motorizado – sim, não há cá falsidades como aquelas bicicletas chinesas que se encontram às portas das tascas de Portugal ultimamente –, 9000 calorias gastas, umas válvulas, umas câmaras, uns raios partidos, uma roda empenada, um pouco de betadine , mas muitos fuckin finishers (para manter o carácter poliglota da prova).
Para o ano a prova terá tantos dias e pó como o Festival Sudoeste, e nem que seja preciso fazer uma espécie de bike surfing e alguém nos levar de mão em mão, todos vão chegar ao fim. 
Notou-se o grande profissionalismo, empenho e simpatia de todo o staff do DBR tal como um grande e trabalhoso cuidado na limpeza, marcação e escolha dos percursos. O quartel - general – Casa do Rio - de toda a prova reuniu todas as condições que uma prova deste género exige, e se a exigência era alta, a resposta foi ao mesmo nível: banhos, alimentação, rigor, assistência em prova e pós-etapa etc . Amarante é uma pacata e pitoresca cidade onde tudo sobe e tudo desce, que abraçou este evento com as suas gentes e lugares e que justifica um regresso, desta ou doutra forma qualquer.
A natureza esteve sempre muito presente e foi possível vivê-la duma forma mais solitária enquanto negociávamos com o nosso corpo a melhor forma de chegar à meta, ou duma forma mais solidária com os companheiros conhecidos ou menos conhecidos, mas todos unidos naquele momento pelo mesmo desafio encontrado.
Fascinantes aldeias “perdidas” em caminhos ancestrais onde só as cabras conseguem superar uma suspensão de 120mm – as cabras, e aquele heróico cão que nos acompanhou kms e kms ao qual injustamente a organização não atribuiu dorsal -, planaltos onde o calor imenso dava lugar à frescura dum certo nevoeiro típico dos lugares onde o ar é rarefeito,  florestas verdes onde os duendes jogam à berlinde com as pinhas ou troços do rally de Portugal outrora percorridos por outros voadores possuidores de testículos grandes como Colin Mcrae, de tudo um pouco foi possível de desfrutar. Uma riqueza e diversidade de trilhos única, tal como toda a doce/salgada-do-suor dureza em os percorrer.
Dizer que foi o melhor evento de BTT jamais feito em Portugal pela exclusividade, pela qualidade dos trilhos, pelos concorrentes e pela organização, poderia parecer que é um meter-lingua-de-fora-a-fazer-inveja , mas é e não é! :p

Resultados Epic (Open men):

99º - Telmo Nunes Faria Marques - 12:14:41
102º - Pedro Pinheiro - 12:16:35
153º - Renato Gabriel Dias Camões Soares - 13:36:33
187º - Hugo Rafael Dias Camões Soares - 14:38:33

Resultados Ride (Open Men):

3º Antonio Matos - 03:13:41

 

(Fotos Fernando Moura)

 

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